quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Amigo?


Senta aqui, vamos conversar bem pertinho. É, eu ando meio carente, então vem aqui e segura a minha mão. Preciso desabafar, te contar algumas angústias, aflições, dividir as coisas. pode ser? Não vou me estender muito, sei que você é ocupada. Além disso, é sexta-feira. Quem quer ouvir lamúrias em plena sexta? Eu entendo. Se fosse mais tarde, entre um gole e outro de bebida forte, a gente podia sentar na sarjeta, reclamar da vida, arrotar baixinho e comer cachorro-quente da esquina. Mas é dia. É dia e as pessoas têm pressa. Vem, não vou tomar muito do seu tempo.
Uma vez eu achei que todo mundo era meu amigo, sabe? E sofri, como eu sofri. As coisas começaram lá atrás, quando eu ainda era pequeno.Todo mundo implicava com um menino da sala e eu resolvi defender, enfrentei todos, entende? Todos. E o povo acabou ficando amigo e eu acabei me sentindo quase um heroi. Depois, na quarta série, eu arrumei uma briga feia com os meninos da sala. O motivo? Não lembro. Sei que todo mundo ficou de mal comigo. Se fosse hoje, seria bullying, mas foi há anos, então naquele tempo era “todo mundo ficou de mal comigo”. E, com isso, me restava ficar sentado sozinho na hora do recreio. É que um dos meninos era pop, ele fez a cabeça de todo mundo. E naquele tempo ser Maria Vai Com As Outras era o mesmo que usar Sneakers hoje em dia (Tradução: todo mundo fazia parte do clube). Pouco tempo depois, um dos meninos brigou com o outro, me pediu desculpa e tudo quase voltou a ser como era. Quase. Porque entendi o que é ser um amigo, e o que é não ter um amigo. Ele voltou a ser meu amigo, eu voltei a ser conhecido dele. E a partir daí comecei a classificar algumas coisas no meu caderno imaginário com a capa dos Power Rangers.
Ja no ensino medio, conheci muita gente, alguns ficaram mais próximos, outros não. Com alguns eu saía, tomava cerveja, comia bauru. Com outros, eu estudava, ia até a biblioteca, tomava cafezinho na hora do intervalo, e com outros eu pegava carona, e com outros eu desabafava. Na hora do intervalo, a moçada falava da vida, o que jantou no dia anterior, as brigas ou alegrias nos relacionamentos, a mudança na aparência, a mãe que vai se separar do pai. São amigos de ocasião, Naquele momento, são seus amigos. Naquele momento, você conta com eles. Naquele momento, vocês trocam confidências. Naquele momento, frequentam a casa um do outro. E depois cada um segue a sua vida, sem briga, sem mágoa, sem nada, apenas com o distanciamento natural da vida.
Muita gente passa e vai passar pela minha vida. E pouca gente vai ficar. Quer saber? Não me sinto mal com isso, não. Tenho amigos de infância, tenho amigos de faculdade, tenho amigos dos tempos de escola, tenho amigos de trabalhos que nem comecei, tenho amigos virtuais, tenho amigos nas ruas, tenho amigos no meu prédio. Nossa, como eu tenho amigos! certo? Errado. Muito errado.
Eu sei, sei que é bem melhor dizer fulano-é-meu-amigo do que fulano-é-meu-conhecido. Também sei que é um saco ter que batizar tudo a toda hora. Mas amigo é amigo, conhecido é conhecido. De vez em quando a gente troca as bolas e se estrepa lá na frente. Então vamos reformular as coisas: existem algumas pessoas que você jura que são amigas porque convivem muito com você, porque te entendem, porque conhecem todos os seus sorrisos, porque têm intimidade com sua família, porque já estiveram junto com você nas horas difíceis, porque são boas companhias, porque fazem um cosmopolitan maravilhoso. Essas pessoas podem ser conhecidas, ou amigas de ocasião. Como assim? São aquelas pessoas que você conheceu no trabalho, na academia, pela vida afora. Gente bacana, do bem, que é legal ter perto, gente que te diverte, te alegra, gente que sai com você pra jantar, beber, jogar carta, assistir filme, viajar. Gente que você curte bater um papo mais cabeça, mais profundo. Gente que você conta um pouco da sua vida. Gente que você quase confia totalmente.
Quase. É porque amigo mesmo faz tudo isso e ainda dá três pulinhos quando um sonho seu se realiza. E ainda vibra por você a cada coisa bacana que te acontece, e ainda respeita o teu espaço, e ainda entende que para ser amigo não precisa estar colado com fita dupla face. E ainda não sente a menor inveja de você.
Entendeu? Agora conte nos dedos de uma mão quem restou. Esses são amigos. O resto é conhecido. E fim de papo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Vai Mudar.






Como saber quando é a hora de ''deixar partir''? Preciso saber como deixar pra lá, mandar pastar, deixar estar, aceitar os fatos e seguir em frente. Sabe, eu estava radiante, cheio de esperança, até ontem. Ninguém morreu, ninguém me traiu, não dessa vez...dessa vez eu vi a luz no fim do tunel se apagar, e agora dou de cara com minha falta de sorte mais outra vez. Se tudo tivesse corrido como o planejado, se eu estivesse no lugar certo, hoje eu estaria dando pulos de alegria emcima da tristeza. Talvez eu seja mesmo incompetente comigo mesmo (leia: http://northonferreira.blogspot.com.br/2011/11/eu-sou-hitch-o-conselheiro-amoroso-e.html)...agora vejo meus passos indo novamente na direção dos passos daquela outra pessoa. Sei que parece que estou insistindo em bater na mesma velha tecla que me rouba tempo e energia (e alegria), mas está mais pra aquele lance de Destino (acho). Dou voltas e mais voltas e acabo parando nela outra vez, e o mesmo acontece com ela.

Mas, definitivamente, estou cansado, esgotado. É que fica bem difícil continuar acreditando quando a gente perde, fica bem dificil aceitar que não tenho o controle sobre tudo (ou tenho todo o controle sobre nada). Algumas pessoas vão me dizer que tou sendo tolo, fresco, fraco, burro, e que deveria insistir, continuar na luta. Mas o que fazer com tantas derrotas? O que fazer com tantos sinais que dizem que o meu caminho não é lá? É o amigo que me deixa na mão, a amiga que me trai, desencontros e encontros errados, tempo de greve sem fim...essas e outras coisas agravam a situação...como saber que ja deu? Bom, tenho as respostas, mas não sei como usar elas...mas essa situação tem que mudar. Vai mudar, vou mudar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acredite, mude.

Tenho uma mania de achar que nada acontece por acaso. Talvez isso ainda me deixe louco, já que vivo esperando sinais. Não sei se você está me entendendo, é mesmo meio difícil de explicar, mas volta e meia penso assim: poxa, será que isso vai mesmo dar certo? Se for pra dar, vai acontecer tal coisa e se acontecer tal coisa é porque é pra ser. Tá, eu sei que é coisa de gente doida, mas eu nunca disse que era totalmente certo.
Quer saber? Até acho que um pouco de doideira faz bem. Não dá pra ser muito certinho, viver de uma forma muito correta, fazendo o bêabá do jeito que todo mundo disse. Eu sei o que quero pra mim. Além de brigar pelas coisas que quero, também tenho um pouco de sorte. Sei que sim. Sorte por ter no meu caminho pessoas que me dão apoio e estrutura. Porque a gente precisa disso quando o mundo tá desmanchando feito desenho na chuva.
Acho que as pessoas surgem na vida da gente por algum motivo. Algumas nos ensinam, outras aprendem. É uma via de mão dupla. E penso o seguinte: se alguém aparece na minha vida e eu posso ajudar, ajudo. Acho que é obrigação. Não sou de desperdiçar oportunidades, talvez porque já tenha desperdiçado um punhado delas no passado. Hoje em dia o que aparece na minha frente eu agarro. Acho que se a gente tem condição de fazer algo não tem porque não fazer. É meu dever, entende? Não dá pra ficar parado vendo as coisas acontecerem, tem que agir.
O mundo e as pessoas mudam muito rápido. Hoje quem você ama está aqui, amanhã pode não estar. Hoje você tem um emprego, amanhã pode não ter. Hoje você dormiu com a frase entalada na garganta, amanhã o dia nasce de outro jeito, com outra cara e a frase pode ficar perdida no meio do nada. Ou pode ser tarde demais.
Acredito que todo mundo tem um poder. E a gente pode, sim, mudar as coisas. Por isso valorizo algumas pessoas que não dão a minima pra mim, pessoas que eu deveria ter esquecido. Me chame de idealista, de sonhador e de romântico. Sou tudo isso. Mas ainda acredito nas pessoas e nas mudanças. E toda mudança começa no fundinho de cada pessoa que quer realmente fazer alguma diferença.

sábado, 11 de agosto de 2012

Sobre a falsidade que nos cerca.




Sobre a minha evidente deficiência emocional já procurei explicações até na astrologia, capricorniana, você sabe como é... o fato é que eu tenho um problema sério para exprimir sentimentos. Perdi a conta de quantas vezes quis dizer um mísero ''te adoro'' mas não passei de um olhar indulgente e ninguém que o tenha recebido entendeu o que eu pretendia com ele. Devolveram-me um olhar frustrado seguido de uma cara de cu e quem ficou frustrado e com cara de cu, no final das contas, fui eu.
Minhas demonstrações de afeto sempre acabam atravessadas na goela, como um nó ou um vômito ou uma espinha de peixe, não necessariamente nessa ordem. Sou um escroto. E não há nada que eu não tenha tentado que fosse capaz de reverter meu temperamento retraído e que muitas vezes soa como frieza, mesmo tendo um turbilhão de emoções pulsando por dentro, elas simplesmente ficam entaladas. Sou um escroto emocionalmente constipado. É como se eu tivesse comido demais e não conseguisse cagar, por isto vou inflando como um balão até que estouro e os dejetos respingam em quem estiver por perto.
Acabei me tornando um ser humano preenchido pela sensação de impotência, porque as pessoas necessitam de provas concretas e eu só consigo fornecer evidências, tão subjetivas quanto a própria vida. Não sei o que os outros querem de mim, se é que querem alguma coisa, e se querem, deve ser algo que não tenho competência para prover ou até hoje não compreendi o que é.
E entenda, meu estoque de amaciantes de ego é restrito, aliás, sou a favor de ações ao invés de palavras sublimes que vão se esvair com o vento e perder o valor na primeira malícia de oportunidade que acarrete algum deslize meu. Porque vou cometer erros e magoar os outros, porque vou ser sincero demais e as pessoas nunca estão preparadas para isto, porque vou ser perfeccionista demais, porque esta é a minha natureza: ser rígido comigo e com as pessoas. Então vou ser crítico demais, vou ser melancólico demais, vou reclamar demais, principalmente quando estiver de mal com o mundo e quando estiver de bem com o mundo também.
Enfim, este comportamento une tudo aquilo que a sociedade reprova. Porque os vínculos emocionais, em sua maioria, precisam de coesão e esta coesão só é possível através de meias-verdades, algo com função similar à da argamassa entre azulejos mas que se deteriora com o tempo e você tem que estar sempre ali reforçando o rejunte. No entanto, somente elas permitem que os laços interpessoais se estreitem, ao contrário das verdades desnudas, que expõem aquele pedacinho particular de cada um que ninguém quer que saibam, que todos odeiam secretamente e, por esta razão, cismam que têm que escondê-lo do mundo no desespero da necessidade psicótica de aceitação.
Afinal, todos querem pertencer a alguma coisa e esta é a base da alegria falseada da humanidade: ignorar verdades para conseguir simular felicidade. Todavia, pertencer seria impossível caso as relações não fossem construídas sobre dissimulações, do contrário, os outros te conheceriam a fundo nos seus piores aspectos - aqueles que nos deixam mais próximos dos animais que somos - e isto implicaria rejeição.
Não diga que seu amigo é feio, diga que ele tem uma beleza diferente que apenas pessoas sensíveis conseguem enxergar. Não diga que seu amigo está gordo, convide-o com sutileza para ir à academia com você. Não diga que seu amigo é burro, diga que ele é dotado de um tipo peculiar da inteligência prática, de modo que a recíproca ocorra em um silêncio cúmplice e conveniente.
Perceba que estas meias-verdades não passam de eufemismos hipócritas disfarçados de complacência, não tendo outra função senão jogar para debaixo do tapete o pavor da solidão. Este hábito medonho, que insistem em não chamar de falsidade, nos é empurrado como um dever cívico. Renegá-lo ou não, portanto, é uma tarefa individual, já que em algum momento você ou seu amigo feio, burro e gordo começará a parecer tapado. Está nas suas mãos.


http://letras.mus.br/overdrive/1334764/

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Viver.

Percebi que, na maioria das vezes em que sofro, é por causa de uma sensação de inadequação. É como se eu não conseguisse cuidar direito da minha vida, do meu mundo, da minha rotina, de mim mesmo. E passo o dia esperando que chova ou faça sol porque pode ser “culpa” do cenário que não está combinando com o meu estado de espírito naquele momento. Tolice... Logo amanhece e fica tão claro que o Universo não tem absolutamente razão ou possibilidade alguma de se adequar a mim. Eu tenho que me adequar às mudanças constantes, enormes, bruscas ou sutis e pequenas, mas sempre relevantes, contínuas.
Hoje eu acordei mais adequado, excentricamente adequado. E passei o dia me divertindo com a minha exuberância emocional. E leve, leve, porque tudo é tão breve. E o dia acabou, e no sábado fez sol, e no domingo choveu e a segunda-feira, para muitos, foi mais um dia preguiçoso, e para mim, uma semana em branco começando. Tudo tão irresistível, dias versáteis com calor e frio e a possibilidade de mudar de figurino para me adequar ao cenário.
Hoje eu senti muito amor pelas coisas, pelas pessoas. E senti saudades sem apegos, eu estava inteiro no meu dia. Percebi que sofro, quando me doo em fragmentos, desalinhado, em conta-gotas. Quando não existe entrega no que faço, uma parte de mim fica em algum lugar desconhecido e eu perco muito tempo em busca dessa parte. Quando eu me desconecto da fé e da confiança na vida, eu sinto medo de existir. Por isso, quando sofro, eu me investigo. Porque o sofrimento, definitivamente, sente-se inadequado em quem aprendeu a gargalhar com o corpo todo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Não era eu.




É que naquele dia eu acordei e não era mais você. Não era mais sobre você que eu escrevia, e também não era sobre mais ninguém. Não era mais a sua voz na secretária eletrônica e nem eram os seus hábitos regrados que eu seguia. Não era o seu rosto, e eram outros rostos que em nada me lembravam o seu. E eu achei por algum tempo que eu não lembraria de nenhum traço, de nenhum laço, de nenhum gosto parecido com o nosso. Quando a gente fica muito tempo sem provar o sabor das coisas a gente se esquece de como elas são. Se a gente era agridoce, eu já não sei mais. ''Não deve ser a hora certa, querido''. Mas era. Era a minha hora certa e eu tinha o timing perfeito. E não foi outra daquelas vezes em que alguém deixou alguém ir embora, ou se esqueceu de fechar a porta com a chave. Só não era eu.



Eu combinei de fazer uns planos, e eles eram pra dois. O que a gente faz depois disso? Você não sabe. Você nunca sabia o que fazer. Mas agora eu ouço pelos cantos que você reclama que eu usurpei o seu lugar. Eu tirei a placa de venda anunciada e permiti novas inquilinas. Novas farsas que não fedem nem cheiram. Novos sons que não chegam perto dos seus gemidos, mas elas gozam comigo e se despedem com um sorriso quando eu saio de dentro delas. Algumas até me dizem que eu sou melhor sozinho, e podem ter razão. Todo mundo tem razão alguma vez na vida. Você conheceu alguém, e não era eu. As pessoas mudam, meu bem. Mas você não é mais quem eu conheci um dia. E foi com esse clichê que você me acusou de ter trocado você por sextas mais animadas, meninas mais agitadas e novos lençóis a cada final de semana. Eu deixei você ir lá. Pra se descobrir, pra se entediar, pra me odiar, pra me perder. E ainda assim não era eu. A sua história nunca foi sobre mim, mas sempre sobre você e as suas virtudes, e o seu orgulho, e o seu medo de ficar sozinha, e por não ter ninguém pra amar, e a sua raiva do silêncio, e quem você deveria encontrar de vez em quando. Você nunca foi sobre mim.
Até que ontem você me disse que o problema era com você, e que também não era eu. Você me disse que já era e que eu devia ter pensado nisso antes. Todo mundo diz isso, e no fundo tem razão. Ela era bacana, falava de coisas bacanas e não me lembrava você em nada. Ela também pedia gin tônica e usava umas cores e coisas que você nunca usaria. Ela também fumava e a gente se esbarrou na área de fumantes de algum bar novo na cidade. Desses que você não gosta. Desses que você não quer conhecer. Ela sabia o que queria e não era eu. E citou essa mesma frase e Bukowski logo depois que saiu do meu apartamento sem deixar o telefone. Ela não era você, e nem era a minha página virada da história. Porque você não sabia o que queria, mas também não sabia se o que queria era eu. E não virou a página pra mim.



sábado, 28 de julho de 2012

Pode Ir.

Eu juro que não consigo te entender, não sei o que você quer tanto comigo, porque insiste tanto em não me deixar em paz. Você me chuta mas me faz ficar ao seu redor e então você precisa de mim novamente quando você cai. E por isso ainda bato naquela velha tecla que diz que você me ama, é louca por mim, mas não sabe como me dizer isso e como assumir isso para duas ou três amigas suas. Sabe, eu fico mau-humorado e com uma certa decepção alheia quando uma garota não se rende quando já é tempo, quando todo mundo vê que ela está emaranhada no seu ''jogo de sedução'' e fica dissimulando, fazendo o outro perder tempo e paciência...
Existem tantas outras pessoas no mundo (mais umas 7 bilhões, mais ou menos, alem de você) e eu perdendo tanto tempo com você. E existem algumas dezenas que queriam estar no seu lugar, que queriam estar comigo, que queriam me fazer feliz. E foi exatamente o que aconteceu, depois que eu abri passagem, depois que eu parei de correr atras de você. Eu não sei se você queria que eu lutasse ou não, mas agora tanto faz. Sinto saudades, dói um pouco, mas estou mais interessado em qual será a primeira garota por quem vou me apaixonar, depois de você. Ando curioso e preciso saber. Quando há sol e você tem um monte de gente pra conversar, fica fácil de suportar e consigo por vezes até esquecer que você existe. O chato é pelas 19 horas, quando a noite vem.
''Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais.''...essa ja foi minha fala, mas hoje ja nem sei o que falar, nem sei se ''eu e você'' ainda tem algum futuro, se você vai tirar essa armadura, parar de bancar a durona, tampar os ouvidos para o mundo e ouvir seu coração...não, eu não vou mais voltar pra você sempre que você me chamar, não vou mais te pedir que fique.

Ex-Pierrô (Talvez outro conto de mau gosto)






Eu falhei. E não foi apenas nessa ou naquela coisa, deu tudo errado e tão errado que já nem sei se ainda estou no direito de ousar ter aspirações. aspirações...elas não me competem, não são pra mim, sequer me apetecem, me dão preguiça de vontade, sobretudo porque, de alguma forma, sinto que não sou mais digno delas. E às vezes me desespero tanto que é como se estivessem me estrangulando e eu não conseguisse soltar um berro.
Queria mesmo que uma bomba caísse por aqui e pusesse fim a esse viver desengonçado, trôpego e inútil, mas isso não vai acontecer, não permitiriam. Se fosse pra acabar com todo esse sofrimento de uma vez, eu mesmo teria que pôr as mãos na massa e fazer tudo sozinho, então seria mais fácil deixar de lado os planos de aniquilação em massa e me foder por conta própria, mas isso também não permitiriam.
Olhei através da janela e vi o tempinho enfadonho, cinza, com a chuva caindo indolente como tudo o que ocorre por aqui: devagar e enervante. E dói. Talvez seja isso o que, eventualmente, vai me levar à loucura. Sempre penso nessa coisa de sanidade, tentando desvendar os mistérios do limiar que separa a lucidez da maluquice total. Então fico imaginando se ainda não ensandeci ou se estou doido há muito tempo. A impressão que tenho é que, se a insensatez ainda não me dominou, ela é iminente e falta só pressionar aquele botão vermelho de emergência como os dos filmes, que servem tão somente pra solucionar qualquer problema que o roteiro não consegue fundamentar. É questão de apenas um empurrão pra eu mergulhar de cabeça no penhasco.
Senti o fastio da existência comprimida em um quarto e caminhei em direção à porta, minha visão se desfez e refez e então não era apenas uma única porta, mas duas. Cristo, como se já não bastasse o resto da vida, agora me pediam pra escolher entre duas malditas portas. Abri a da direita e um gorila de três metros ( o mundo) ameaçou saltar sobre mim, com dificuldade a fechei e permaneci olhando a outra porta com desconfiança. O que mais falta agora? Abri a da esquerda e estava escuro, não enxergava um palmo à frente do meu nariz, então hesitei. Porém, acabei dando alguns passos tateando o chão no breu. Cambaleei na beirada do fosso e caí resignado, porque a queda é livre e é inevitável.
Assim é a loucura: ela avança a passos largos com relativa discrição mesmo no momento que a precede. Quem sabe seja esse mesmo o meu destino, andar por aí babando pelos cantos da boca e esparramando minhas roupas e calçados pelo prédio, tocando campainha da casa de desconhecidos, cheio de pasta de dente na cara e xingando os outros, como tem feito a minha vizinha. Eu a invejo pela ausência de remorso e culpa, pela possibilidade de poder ser livre e genuína cem por cento do tempo e cagar em cima do resto. E todo o mundo sabe que o conhecimento que as pessoas têm da sua piração é diretamente proporcional ao quanto vão encher o seu saco. Portanto, a insanidade acaba se revelando, de uma maneira ou de outra, a absolvição.      
Não consigo precisar o tempo que demorei pra alcançar o chão do porão, no entanto, quando aconteceu, só houve um  barulho abafado como um grande saco de merda atingindo o solo de uma cavidade estreita, respingando o entorno e deixando um cheiro desagradável ali. Era só bosta quente e ossos quebrados. Era também a solidão absoluta. Foi quando percebi uma claridade intrusa que vinha de uma pequena passagem por onde eu deveria me rastejar para retornar ao ponto de partida. Tentei me mexer mas minhas pernas estavam quebradas tanto quanto podiam estar. Continuei estático, vencido e entregue como o bom perdedor que sempre fui, porque ali era também a paz e o sossego que me faltavam. Me ergui dias depois, me olhei no espelho e não vi um pingo de vergonha, me senti um lixo...eu tentei acabar com minha propria vida...como pode alguem fazer isso? como eu pensei em acabar com a minha vida por uma causa tão pequena? Tenho, e preciso, aprender a viver por mim, crescer por mim, mudar por mim, evoluir. Abri as janelas, olhei o ceu azul, sorri, dei bom dia ao vizinho, ao carteiro, ao entregador de jornal, coloquei ''Paixãozinha Demodê'' pra tocar, e me senti mais vivo ouvindo o cantor dizer ''veja so, meu bem, que dia bom pra ser feliz''...peguei o telefone, liguei pra minha mãe, pro meu pai, meus avos, alguns amigos, pessoas que realmente são importantes. ''Vou dar uma festa'', foi o que eu disse pra todos eles. "Qual o motivo da festa?'', a maioria me perguntou...o motivo...ah, o motivo...''a vida''...''estar vivo ja é motivo de festa''. Enfim, aprendi a viver.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Conversa de Portas Batidas.





Beijo na testa. E eu achando que ela não tinha desistido. Que não teria esquina nem curva nenhuma que me fizesse perdê-la de vista. Que não teria grito alto demais, arranhão de raiva ou choro no silêncio que a fizesse dar meia volta e ir embora. Ela não tinha força nos braços pra carregar a gente, e me carregar sem amor ardente. As mãos suadas e aquela premissa de que ela era realmente muito jovem. Dureza é voltar pra casa com os olhos vermelhos e contar pra minha mãe que ela tinha razão. Ela não saberia lidar com nada disso. É quando estabiliza, quando acontece a virada é que a gente descobre quanto vale o jogo. Ela veio com um zap, e eu só tinha uma espadilha de nada. Não dava pra lutar sozinho se o nosso truco é jogado pra dois. Não dava pra continuar quando a aposta é doze e ela abandona o jogo no meio. Pior é constatar que não era blefe e que a mão dela era leviana. Resultado: na testa.
Eu tenho um pouco de medo disso. Não, não é dela. É disso que a gente tem. Que me sufoca, mas não é um sufoco forçado. Bate junto com a angústia e parece que o peso do mundo amolece as minhas pernas e elas ficam bambas. Os braços ficam dormentes com a disritmia do coração. E eu sou só mais um desses meninos que se mascaram de fortes. Com músculos, um pouco de barba e um tanto de solidão pra dar charme. Mas é quando estabiliza que a gente entende o rosto. Não tem ruga nenhuma e dá pra perceber que a gente é muito novo ainda, tem muita coisa pra viver, e eu não sei lidar com as coisas quando elas saem do controle. A garganta fica seca quando eu percebo que as coisas estão indo por um caminho que eu não sei prever. Não tem mais aquela falta de ar, mas a atmosfera é leve com ela. Não precisa muito de pôr-do-sol pras coisas ficarem bem. E se eu perder tudo isso? Eu corro. Largo as cartas na mesa e vou sem nem olhar pra trás – porque se eu olhar, eu volto.


Você era o mundo pra mim, e decidiu não ser mais. Eu só queria um amor, e você queria o resto. Você queria pausar as coisas, e eu o controle remoto da TV. Você queria ter o controle, e eu me jogar de bungee jump. Você queria que eu ficasse, mas eu fui embora algumas vezes também. Você queria um final feliz, mas a gente só era feliz e eu resolvi não dar final. Eu só queria fugir e você queria misturar o meu discurso e me levar a algum lugar com nome e endereço conhecido. Você bateu a porta, mas eu também. Dava pra sentir a sua mão do outro lado da maçaneta – e por que você não me puxou? A gente girou junto e eu caí na minha cama, e eu também caí pra fora da vida. Eu fui crescer, mas você quis ficar. Quem é que vai substituir o seu rosto nas fotos do meu quarto? – e quem vai me mandar combinar o tênis com a bermuda direito? Eu vou correr, mas um dia eu volto. Se você voltar, eu corro. Bati a porta depois que você saiu, e não tem ''toc toc'' que me faça abrir de novo. Boa sorte com isso, e pra você também. Até mais, e eu te amo.
[E é nos desencontros da vida que a gente vê que uma cena qualquer é como o amor. Que não precisa ser bonita ou fazer sentido. Que não precisa ter motivo aparente ou fechar nas reticências. É nos diálogos entreportas, de portas batidas, de corações partidos que a gente vê que a maioria de nós quer a mesma coisa. Que a gente só quer um amor.]


domingo, 22 de julho de 2012

''Parafraseando'' Um Futuro Bom.

O que eu não te disse, nem poderia, é que eu sempre quis. Sei lá eu o quê, ninar você, te abraçar por trás na frente de todo o pessoal e te chamar de minha-garota, andar de mãos dadas, comer você puxando seus cabelos negros. O problema é que você sempre se fez de dificil, sempre preferiu dar prioridade para unas idiotas metidos que a gente vê por ai, sempre preferiu escutar conselhos errados de amigas erradas. Sabe, era preciso acontecer algo do tipo, era preciso eu estar numa cama de hospital com a saude pra lá de debilitada pra você poder cuidar de mim. Eu com febre e você me abraçando, me medicando, deitou do meu lado inocentemente com três centímetros quentes de separação, e eu, que nunca perco uma chance de me dar bem, não conseguia nem me mexer, ardendo em frio. Talvez eu tenha deixado escapar alguma coisa em pleno delírio da febre, porque na manhã seguinte você me olhava de um modo esquisito. Mas olhava. Olhava, olhava, olhava. Dócil, atrapalhada, dúbia, vacilante. Lembra quando adormeci com todos os meus braços e pernas e pesos em cima de você que estava encurralada querendo mijar? Lembra daquele beijo quente que parecia não ter fim? Acho que estava mesmo delirando...Você e seus filmes chatos com crianças sofrendo de leucemia no meio, bem-feito. Enfim: sós e assobiando. Sem aquela desculpa esfarrapada de “se melhorar estraga, acho melhor ficarmos na amizade, o que você acha?''. “Será que um dia você vai olhar pra mim sem querer algo mais?”, você me perguntou com uma cara de raiva mas ao mesmo tempo querendo que a resposta fosse ''não''. Agora estamos aqui, as pernas enroscadas e os corpos ensopados de suor.Depois de tanto drama, depois de tantas historias, tantos boatos, tanto charminho, tanta poesia, você foi pra cama comigo e descobriu ser a melhor coisa que você ja fez. Depois ficamos bolando um plano pra ninguém nos pegar, sem sair na rua há três dias, cheios de respostas fluorescentes e óbvias adesivadas nas paredes, tentando descobrir o que estamos fazendo afinal, se isso pelo qual estamos nos deixando levar é ópera de tão sério, diversão de carnaval, ou pleno e contraventor como um bom rock n' roll. Você admitindo que estava errada o tempo todo, eu confessando que sempre quis ter você na minha cama. Você me olhando como se eu fosse parte sua e eu vibrando de tanta felicidade. Enfim o amor venceu. Se ninguém nos perdoar, a gente se manda. Se você não suportar minha companhia, a gente se ajeita. Se isso nos matar do coração, a gente se assopra. Se for passageiro, a gente se poupa. Será que a gente consegue voltar a ser só amigos? Vamos encarar, nas entrelinhas tortas a gente nunca foi só isso. E se não for tudo que a gente espera? Sei lá, é muito tarde pra saber. Por que... Quanta pergunta, não sei, quero namorar você, te beijar sempre que quiser, te levar pra cama quando nos der vontade, ser feliz com você. Só quero dizer que você é minha coisa mais favorita do mundo. Só quero que você volte pra minha vida para continuarmos o que a gente começou. Sabe, a gente tem que aprender a deixar o coração falar, o tempo corre e se a gente se deixar esbarrar em qualquer obstaculo, se a gente seguir sempre o que o mundo fala e não o que pensamos, nunca seremos felizes.

Uma Nota De Decepção




Mais um castelo que se desmoronou. Irremediavelmente? Por pouco tempo? Não sei. E sinto-me magoado. Não, não me sinto magoado. O que há em mim é sobretudo desilusão, por pensar que conhecia os outros e julgar que nunca alguém seria capaz de chegar a este ponto crítico de falta de caráter e hombridade.
Estou profundamente decepcionado com a falta de coragem das pessoas, coragem pra serem sinceras umas com as outras, mas principalmente pela falta de coragem para entenderem e lutarem pelo o que elas sentem e acreditam.
Falta-lhes dignidade, sobra-lhes egoísmo. A mim falta olho crítico e me sobra compaixão, e são essas coisas que, combinadas entre si e em regra geral, nos fazem sentir assim da forma como estou agora... as malditas expectativas que se elevam sem uma justificativa racional.
E custa ver que ninguém vale a merda que caga, que as palavras não passam de dissimulações. Custa saber que acreditamos no que havíamos jurado não acreditar mais, por termos nos deixado levar pelo que prometemos resistir. E o pior de tudo é saber que estamos essencialmente desiludidos conosco pela nossa cegueira. Não sei como reagir a isso. A única coisa que tenho como certa, é tudo o que sinto. E isso, sinceramente, não ajuda mesmo em nada...

domingo, 15 de julho de 2012

Somos Quem Fazemos Ser.

Nunca entendi a aversão das pessoas à verdade, principalmente porque com ou sem ela continuamos um bando de idiotas. A diferença é que sem a verdade se é um idiota pretensioso e arrogante. Está bem ser um idiota à sua maneira, nisto não há problema algum - eu mesmo o sou - contanto que se assuma idiota ao invés de esconder atrás de frases retardadas e motivacionais para aparentar ser algo maior do que é. ''Ame o próximo'', ''seja pacífico'', ''faça o bem''...eles ladram por aí à medida que excluem, fingem, fofocam, enganam e dissimulam. E este é um recurso à altura de quem o pratica, coisa de gente pequena e pobre de espírito. Por isto, passei a admirar os idiotas convictos porque, apesar de tudo, eles têm algo próximo à coragem neles. E eu gosto de coragem. Ao passo em que a mentira sempre andou de mãos dadas com a covardia. É o medo desta qualquer coisa, que apenas quem mente sabe o que é, que motiva a farsa e, normalmente, se revela algo débil no final das contas. Afligir-se pela reação alheia é meio ridículo. Obviamente, se você disser que acha tal troço uma bosta, ninguém irá enfiar um pedaço de madeira no seu cu. Portanto, não há o que temer. Somos quem fazemos ser. Contudo, há quem opte pelo caminho mais fácil, que é sempre o que requer pouco esforço mental e implica seguir as regras seculares, ocupando o tempo de forma maníaca para não perceber a inutilidade das ações diárias e olha, esta realidade quando revelada pode levar à loucura. A fórmula é velha e simples: idiotização no lugar da histeria, logo, querendo ou não, torna todo mundo ainda pior. Zumbis conformados, dizendo amém e seguindo o fluxo pois falaram que era assim que tinha que ser. Não foi dada nenhuma justificativa plausível mas não se questiona absolutamente nada. E lá vem de novo aquele silêncio conivente e tão desagradável como a merda grudada na sola do sapato, seguido de sorrisos e gestos subservientes que inoculam o veneno contido neles. E então eles vêm com aquele papo de "você deve ser agradável sempre", sem apresentar nenhuma razão ou qualquer motivo lógico. Querem que você seja agradável sobre todas as coisas, amável até com uma pedra. Pois eu digo que esta gentileza despropositada é apenas outra mesquinhez social que alimenta comportamentos perversos entre cada um de nós. Incrível como conseguem passar o tempo todo sorrindo como debilóides, acenando mecanicamente, abraçando uns aos outros, de bem com a vida e, mesmo que estejam levando no rabo, continuam a sorrir, a acenar e se abraçar tão forçosamente que já não sei se isto é sadismo ou ambição extrema. O primordial é manter sempre seus narizes empinados e seus orgulhos intactos. Mesmo que raspem o cu com a unha para economizar papel higiênico, mesmo que sejam motivos de chacota, mesmo que sejam tapados e sem imaginação, nunca o reconhecerão, nunca dirão que é verdade, ao contrário, dirão que quem os questiona, mente. Dirão que quem está a expô-los não passa de um frustrado e amargurado. Esta é a gênese da escravidão mental. E como são medíocres. E pior do que medíocres, são fracos. Fracos de vontade, fracos de princípios, fracos de personalidade, fracos de caráter. Confesso que eu seria capaz de sentir pena se estas pessoas não me irritassem tanto.
Com um ponto de interrogação luminoso e insistente na cabeça, eu permanecia encarando o espaço do site aonde eu deveria dizer quem sou eu. Pra que serve essa palhaçada afinal? Quem me conhece sabe como sou e quem não me conhece direito acha que sabe o que eu sou, visto que estão continuamente atentos ao que somos e não ao quem somos. Pensei que deveria me por a escrever alguma coisa impactante desse naipe, mas também não sou bom nisso. A coisa se complicou porque sempre gostei de preencher as lacunas dizendo que sou esquisito pra caralho, quando o que me falta mesmo talvez seja talento. E talento pode ser substituído por compostura, paciência, doçura, beleza, lucidez, inteligência, dinheiro e outras palavras de merda na lista dos itens que me escaparam na vida. E escaparam sempre com a relevância de quando alguém muda a posição do maço de cigarros e eu não percebo, porque são pormenores importantes apenas pra um decorador. Coisa que não sou e que meio mundo pensa ser. Particularmente, nunca tive habilidade, competência e atenção pra detalhes, aliás, nunca os entendi e eles nunca se entenderam comigo. É como ouvir minha mãe dar ataque porque minhas roupas estão em cima da cama, é só um detalhe. Ou como ver gente que liga pro tênis que a outra pessoa usa, é só um detalhe. Detalhes são sempre absurdos. Normalmente funcionam como elos frágeis que alguns utilizam pra transferir seus preconceitos sigilosos a alguém posto que carregá-los sozinho é dificil, mas sempre esperando que esse alguém cumpra com maestria o papel que se designou arbitrariamente. É insano. E é também apenas outro detalhe por dentro dos detalhes, de aspecto podre e do qual se desvia os olhos pra conseguir ostentar a fisionomia despretensiosa de paisagem e depois agir como quem diz veja como sou indiferente e confio no meu taco, mesmo que na verdade não passe de um merdinha inseguro e passe a vida se borrando de medo. Sou um homem inflexível com gênio de cão, por isso nunca me dei bem com gente que se dedica a vender estereótipos sob o pretexto de detalhes e sempre bati de frente com quem tentou me empurrar essas demências goela abaixo. Mas, sobretudo, nunca tive um pingo de respeito por quem está comprando as idéias mais erradas o tempo todo porque tem receio de coisas insensatas. Seria melhor baixar as calças e ter uma diarréia em cima da letra de ''Metamorfose Ambulante'' de uma vez. Sumariamente, esse esforço pra ser aceito não passa de mera falta de argumento no momento em que não se consegue justificar as próprias escolhas. Um asno junta com uma dúzia de asnos pra convencionar uma dúzia de regrinhas pra apoiar suas decisões, outra dúzia de asnos vai passar a seguir e, sendo assim, a coisa irá crescer em uma progressão geométrica de razão doze. Isso é taxa de contaminação de uma peste bubônica.  
Os hábitos de quem acredita ser caso de vida ou morte se justificar o tempo todo, justificar todo o tempo qualquer coisa e simplesmente se vê incapaz de fazê-lo, são tão mecânicos e obsessivos que devem até causar LER. Não há razão de ser em tanto esforço prosseguido e repetido pra viver, principalmente se for pra existir de uma maneira tão sufocante, com as pessoas sentadas nos seus espaços minúsculos, todas reprimidas, vazias e assustadas mas ao mesmo tempo orgulhosas e satisfeitas por estarem assim. Eu espero morrer primeiro antes que isso se abata sobre mim.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sem Você Não Tem Graça.



                            
Eu nunca disse pra você sair da minha vida, apenas disse que ''parece que sua vida não é a mesma sem mim''...mas a minha...a minha vida também não é a mesma sem você. O tempo parece estar sempre nublado, os segundos parecem demorar horas, os lugares não têm a mesma graça, as conversas com outras pessoas não são tão boas, as risadas, olhares, manias, perfeições e imperfeições não são tão interessantes. Não faz isso, não desaparece! Não é fácil achar alguém tão compativel comigo, como você,nessa cidade. Volta, me dá um sinal de vida, uma luz, me manda uma mensagem. Eu preciso do seu sorriso nem que seja com meros dois pontos e um parêntese [:)] numa conversa boba em um chat qualquer. Me liga, briga comigo, me xinga, diz que ''eu faço tudo errado sempre'', mas não some da minha vida!
    


Ainda sobre isso:

 http://letras.mus.br/natalie-imbruglia/1437670/traducao.html
 http://letras.mus.br/o-teatro-magico/1961129/
 http://letras.mus.br/identidade-falsa/1776412/
 http://letras.mus.br/identidade-falsa/sem-te-sentir/

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Coisas Que (Quase) Ninguém Pode Ver

Quase toda vez que sai está com alguém diferente, quase toda semana um garoto novo. Tantos ‘’pares’’, tantos beijos, tantos corpos, um carnaval. Ela parece tão feliz, tão de bem com a vida, tão bem estando numa ‘’carreira solo com participações especiais’’. Ela se sente o Máximo, com números de causar inveja em qualquer garota idiota (‘’peguei 41’’, ‘’uns 12 já se apaixonaram por mim’’, ‘’aqueles 8 estão afim de mim’’...). Mas existem algumas coisas que (quase) ninguém pode ver: Ela se sente obrigada a mostrar algo pra sociedade e algumas amigas vulgares, coisa de ‘’Maria vai com as outras’’, ela satisfaz o corpo mas o coração sofre, ela tem números grandes de conquistas mas nunca foi conquistada, tem um número zero de grande importância (nunca amou, nunca viveu um grande amor). Ela chora quase toda noite, sozinha no seu quarto de dormir, desejando viver um romance que dure mais que algumas horas, uma noite, alguns dias ou algumas semanas, desejando que esse carnaval se transforme num tango, numa valsa, desejando encontrar o Amor. E a solucão pra tanta dor disfarçada de felicidade é não fingir ser algo que não é somente pra agradar os outros, ser mais sincera consigo mesma, dar mais valor a quem se importa com você, ser menos egoista com seus sentimentos e com as outras pessoas, falar o que sente e expressar isso, deixar o orgulho de lado, correr atrás dos seus sonhos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ainda Resta Esperança

Houve um tempo em que acreditei em contos de fada, que idealizei histórias que pareciam ter saído de livros, com amores impossíveis capazes de transpor quaisquer barreiras. Eram verdades invioláveis. Também houve um tempo em que acreditei nas pessoas, na pureza dos seus corações e das tantas qualidades que elas podem ter quando querem. E já houve um tempo em que acreditei em mim, em que achava que conseguiria mudar o mundo e as mentalidades. Acreditei que seria sempre o mesmo: apaixonado, dedicado, sonhador. Falhei em tudo. Desiludi-me com o mundo, com as pessoas e, sobretudo, comigo mesmo. Não há contos de fada. Há somente mentiras, traições, desejos, dissimulações e paixões estéreis e superficiais que apenas consolam o nosso medo esmagador da solidão. E descobri que o mundo era absurdamente feio. Que aquelas pessoas capazes de coisas tão maravilhosas eram responsáveis por monstruosidades. Que sorrisos podem ser tão ocos quanto palavras de circunstância. Desencantei-me com tudo que vejo. Deixei de crer na perfeição das coisas que outrora julguei existir por aí escondidas. Deixei de me iludir com tudo o que antes julgava essencial. No fundo conheci a realidade das coisas. Vi que as coisas más são mais do que as boas. Que os valores são hipocrisias que disfarçam crises de consciência. Que há boas pessoas, que ainda acreditam ou querem acreditar mas que são esmagadas pela opressão desta sociedade descrente e decadente. Mas aquele sentimento esmagador, que nos faz acreditar que há coincidências tão fortes que não se podem dever à simples aleatoriedade do universo, que nos levam a pensar que há algo superior a nós que vai escrevendo por linhas tortas o nosso caminho e que há mesmo momentos e pessoas perfeitas. E este é um bom motivo para acreditar que ainda há coisas pelas quais vale a pena continuar a continuar a viver. Existem pequenos detalhes que se destacam e se diferenciam de todo o resto, e nos mostram que ''felicidade é só questão de ser''.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Perdidamente Apaixonado ou Apaixonadamente Perdido?

Hoje eu sonhei com você e percebi que te sinto mais perto, mais dentro de mim. Você diz que eu não devo me apaixonar por você. Mas como é possivel? Você me faz tão bem, com seu jeito todo atrapalhado e tão patético quanto o meu, com seu cheiro de infância, carinho e desejo, com seus sinais que me fazem querer procurar mais sinais. Tenho um pé atras, talvez um e meio, pois penso ser como o filme que assisti antes desse, ''A historia da gueixa'', mas, ao mesmo tempo, sinto ser algo diferente. Mesmo assim, me arrisco, te dou dicas, quase soletro pra você o que estou sentindo, e depois recuo. Mas a verdade, e que quase não consigo mais disfarçar, é que me apaixonei e não sei o que fazer.

Aqueles Malditos Olhos Castanhos

Fora sempre o tédio rançoso que me conduzira ao bar, ao copo, ao degradante, às conversas reticentes ("o que tem feito?", "como vai a sua vida?"...eram pretextos, não queriam saber o que eu andava fazendo, tampouco como minha vida estava, caso contrário, dariam-me tempo para discorrer amplamente sobre estas questões ao invés de mudarem subitamente o rumo do papo de uma maneira até histérica, faziam isto apenas para seguir o que manda o figurino da sociabilidade. Eu retribuía com equivalente reticência, e também dizia de pretextos escarrados porque, afinal, as suas vidas, profundamente, não me interessavam nem de longe. É preciso cumprir o cronograma da simpatia débil e despropositada. Mas isto é apenas o tipo de besteira à toa que costuma circular na minha cabeça. Foi então que, num lampejo corriqueiro de vida que pulsa por dentro e por fora, deparei-me com aqueles olhos doces olhos.
Observe, todo escritor, competente ou não, encontra para si, inevitavelmente, porque uma hora há de acontecer, aquela pessoa inexplicável e ela se torna um objeto de adoração porque tem uma coisa qualquer de entidade com aspirações místicas; de personificação do que é a síntese do absurdo ou beleza da existência; do ideal dos sentimentos que gostaria de sentir profundamente e que se concretizam em linhas de delírio lascivo e desejo voraz; porque tem aquele ''quê'' da visão sublime que ele vasculha incansavelmente no mundo, remexendo em toda a merda fétida, até encontrá-la, para conseguir realizar as pequenas ações mecânicas diárias. E a imagem daqueles olhos doces e ingênuos não me saía da cabeça. A meiguice contrastava com seu tipo atrapalhado e nem tão feminino . Mas aqueles olhos doces não me saíam da cabeça. Poderia me perder por séculos no sabor deles e me tornar o senhor do tempo numa eternidade de dois segundos.
Posso começar contando como tivera sido excitante a brevidade do encontro do meu braço com o braço  dela, ou sobre como fiquei involuntariamente corado, ou sobre como a desprezava, acima de tudo, como desprezava o estereótipo que ele representava, ou sobre como desprezava a mim mesmo por me sentir perturbado, ou sobre como eu desprezava a maneira que eu me comportava quando a sujeita se dirigia a mim, respondendo laconicamente como quem não se interessa, querendo enfiar meu focinho envergonhado na terra. Este sou eu, um amante ousado e descarado e, ao mesmo tempo, tão timido.
E então de que me adiantavam, portanto, o álcool, os cigarros, outras mulheres, o mundo, a puta da vida, se não tinha aqueles olhos doces? Poderia delirar sobre eles, por eles, porém nunca os teria porque, como se diz, ela era muita areia pro meu fusquinha ultrapassado. E, no entanto, ainda assim, a imagem inquietante daqueles olhos doces e ingênuos persistia na minha cabeça. Eu odiava aqueles doces olhos castanhos. Eu a odiava.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O agora e o infinito.

Tenho tentado não agir por impulso. E vejo com clareza, após pensar, repensar e estudar os vários ângulos possíveis de uma situação, o que devo remover e acrescentar na minha vida. Infelizmente, isto também inclui pessoas. E pessoas que, em determinado momento, tiveram uma importância primordial na minha existência. Mas eu mudei, elas mudaram. E não foram apenas as idiossincrasias que nos afastaram, mas simplesmente, ter valores que não se casavam mais, desconfortos maiores que alegrias, disputas estéreis, uma necessidade insaciável de despertar emoções negativas, e um vácuo enorme onde havia abraço. Onde havia amor (?).
Não foi fácil, não tem sido, mas tenho me sentido mais coerente com as coisas que me propus a viver, com as coisas que eu tenho para dar e derramar, com o espaço que abro para o tipo de relações de trocas reais, de afetos sinceros, de atitudes maduras, de comportamentos honestos. Não quero amar apenas quem é amável, quero amar quem merece ser amado. E eu brindo o que é recíproco mesmo que não seja idílico. Tenho plena consciência de que na diferença que o Outro me traz é que aprendo, mas que venha com transparência. Eu prezo pessoas de verdade, estas me são caras. Os falsos eu respeito e deixo que sigam. Não há problema nenhum em nada e ninguém, desde que eu saiba que sobre a minha vida, a mim me cabem as escolhas. E eu dou o meu melhor e mereço receber o melhor também.
E todo este meu trabalho interno poderia ser resumido assim: eu quero crescer para mim mesmo.

sábado, 23 de junho de 2012

Mais Sobre Mim :

1- COISAS QUE EU QUERIA FAZER MAIS NÃO POSSO:

- comer o que eu quisesse e não engordar e não ter problemas com colesterol ou glicose
- plantar um pé de dinheiro
- me teletransportar
- ter 21 anos pra sempre
- saber tudo

2- BOBEIRAS QUE ME ALEGRAM:

- acordar num dia nublado e chuvoso
- beijinho na nuca
- receber carta (com esse negócio de internet ficou tão raro...)
- elogio de quem menos se espera
- um sorriso sincero

3- COISAS QUE APRENDI QUANDO ERA TARDE DEMAIS:
- ouvir as pessoas até o fim
- ser mais tolerante
- não impor minhas idéias brutalmente
- ser mais ponderado
- agir com menos impulsividade

4- NÃO GOSTO MAS ACABO FAZENDO:

- ser estúpido pela débil insegurança
- beber até não aguentar mais
- deixar a preguiça me dominar
- não falar pras pessoas que me importam o quanto eu as amo
- martirizar-me por tolices que só têm relevância pra mim

5- GOSTO MAS NUNCA FAÇO:
- organizar minha vida
- acreditar muito mais em mim
- aproveitar mais as efemeridades dos momentos, cagando em cima das minhas neuroses/culpas/medos que apenas servem para me bloquear
- permitir-me amar sem a sombra da dúvida coçando atrás da orelha
- parar de sentir coisas idiotas com uma intensidade dolorosa

6- COISAS PRA FAZER ANTES DE MORRER:

- aprender a tocar violão, surfar e andar de skate
- ir a um show do elvis (porque elvis não morreu)
- passar um ano viajando com a mochila nas costas, sem destino definido
- ir à uma olimpíada e uma copa do mundo de futebol
- assistir o nascer do sol num lugar lindo com a pessoa que eu amo

7- COISAS PRA FAZER EM DIA DE CHUVA:

- ir para a chuva
- depois da chuva tomar um banho quente
- dormir
- jogar baralho
- dormir
- assistir a um filme de comédia
- dormir
- ler
- namorar muito
- dormir de conchinha com a pessoa do item anterior
- comer brigadeiro
- dormir.

Acompanhe o blog, depois eu te conto mais sobre mim, caro leitor.

Primeira Pessoa Do Singular

Demostrando mais uma vez provas inequívocas de egocentrismo, hoje optei por me descrever, fazer um retrato desse "mamífero" que me olha todos os dias do outro lado do espelho. Dizer decidido e convictamente quem sou.
Antes de mais nada, sou um recém-saído da adolescência borbulhenta, em que, contudo, as maiores borbulhas não estão sob a forma de acne juvenil mas sim camufladas dentro de uma alma mutiladamente inconstante.
Tenho definitivamente uma mente aberta, que é praticamente a favor de tudo o que seja no mínimo esquisito e sou, ainda, frontalmente contra padrões e modos comportamentais típicos. Sou anti-comunismo e tambem sou anti-capitalismo. Vê como sou estranho? existe algo que não seja nem da esquerda (comunismo) ou da direita (capitalismo)? um centro? se existir, estou nele.
Flamenguista convicto e ferrenho, daqueles que quando o Flamengo perde faz um berreiro, bate portas, insulta crianças (eu sou solteiro e bom moço, mas fica a idéia), xinga a presidência e diretores e jogadores do clube e diz que não vai mais assistir os proximos jogos, mas sempre volta atras.
Além disso, religiosamente sou uma pessoa um pouco indefinida, sendo, por convicção, contra seitas e organizações fundamentalistas, que querem vender a salvação do mundo em imagens de santos ou cintos de explosivos. Sou também, e apesar da minha educação católica (ai se a minha avó lê isto!), uma pessoa que, se a Instituição Católica não rever seus conceitos, caminha a passos largos para um forte ceticismo face à igreja e aos seus padres, bispos, hóstias e Bento XVI.
Sou também estudante de psicologia da UFAL, Universidade Federal De Alagoas (ou seria UFAIL?), mas queria, e ainda quero, fazer medicina, mas as regras do jogo mudaram, o que era dificil ficou ainda mais dificil, e eu não tenho saco pra tudo isso.
Por fim mas não por último, sou uma pessoa decididamente heterosexual, apesar da minha vida amorosa ser uma daquelas coisas que, possivelmente, não são das mais bem sucedidas... mas enfim, a vida é mesmo assim, uma merdinha, para mim e para toda a gente!

Como me sinto agora.

Os últimos tempos têm sido loucos, que amálgama de sentimentos! Parece que voltei aos 13 anos quando tudo o que vemos, sentimos e fazemos é desordenado e, sobretudo, intenso! Passar da dor profunda que senti, ainda sinto e continuarei a sentir até voltar a me convencer que a vida vale à pena para a alegria de outro tipo de sentimentos, ao orgulho do que tenho feito, o empenho que tenho em realizar uma coisa só minha e pra mim.
Há uma enorme vontade em mim de conhecer e conviver com pessoas novas e de aprofundar as boas amizades antigas. E a vida, então, vai se revelando em uma peleta de cores e mostrando o quão bela e cruel sabe ser, refletindo raios de luz por entre a escuridão das pequenas tragédias que se abatem sobre nós.
Dou por mim a questionar sempre sobre o que realmente somos. Poeiras despreocupadas que voam ao sabor do livre arbítrio de uma entidade superior qualquer. Ou, ainda mais assustador, que tudo se deve à ocasionalidade, às leis da probabilidade. As mesmas que se aplicam quando lançamos um dado ou uma moeda ao ar são as mesmas que intervém na nossa vida.
Mas do que essa merda toda interessa afinal? Daqui por 100 anos seremos pouco mais que pó biodegradável, conseguindo assim servir mais o ambiente mortos do que vivos...
É muito confuso, eu sei. Mas é assim mesmo que me sinto agora.

Ainda sobre meus textos...

Não é por mal ou desinteresse. Certamente não será também por falta de assunto. Por vezes é falta do lampejo inspirador. Ou antes a necessidade de me expressar de outras formas. Ou de não me expressar de maneira nenhuma.
Escrever é uma arte profunda que implica pôr em cada letra um pouco de nós, que nos desgasta e desgosta a cada frase. É muito mais que rascunhos, introspectiva-nos e nos faz inspirar naquilo que lemos, porque cada escrito é um manifesto. De amor, de paixão, de solidão, de desespero, de loucura, de método, de leveza ou de simples vontade.
Tudo o que leio e escrevo é único. Porque é meu. Como uma marca de nascença ou um traço de personalidade. E quando não se tem um rumo, quando parece ser difícil traçar objetivos, saltar muros e cumprir etapas, mais difícil se torna essa introspecção...

Sobre publicar ou não os meus textos

Eles têm que ter um destino mais digno, sei lá se é digno o que eu quero dizer. Só queria que eu e as minhas idéias não morrêssemos no esquecimento, nesse anonimato que me estrangula. Entende? Acho que deve ser só por isso que escrevo, recebo tantas críticas, tantos rótulos, que sinto necessidade de ser reconhecido por alguma coisa boa. É como se eu dissesse nas entrelinhas: "oi, não sou apenas um palhaço sem graça , louco e idiota. ok? sei fazer coisas boas tambem". Eu não culpo as pessoas por elas me verem assim, eu colho o que eu plantei, só que às vezes dói, e dói pra caralho!

Entre tapas e beijos.

Onde vai parar a nossa relação se você continuar fazendo o que faz? Pare de brincar com os meus sentimentos, pare de me usar e me deixar de lado quando eu não servir mais para o que você quer, pare de tentar (e conseguir) causar ciúmes em mim com esses babacas dos agrestes nordestinos, do planalto central ou de Ipanema; pare de agir assim sempre contradizendo suas palavras. Sabe, parece que tudo isso é amor reprimido, escondido. Parece que você não consegue viver sem mim, sem meu amor e minha atenção. E tudo seria tão simples se a gente não complicasse tanto (‘’ o roteiro a gente já sabe de cor, qualquer um de nós dois que escreve acaba fazendo pior’’). Descomplica que eu descomplico, mas muita coisa precisa ainda ser dita, sentimentos precisam ainda ser postos pra fora. Parece que tudo nos liga, parece que somos polos opostos de um ima e que viveremos sempre entre tapas e beijos.

Resumindo: http://letras.mus.br/adair-cardoso/1562206/
                   http://letras.mus.br/leonardo/131606/

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sua dor (Quase) oculta

De repente é noite e você está tão só...O meu dia foi tranquilo, mas eu sei que o seu te doeu até agora e eu não posso amenizar nada com palavras que pretendam ser abraços porque elas te falariam obviedades sobre tempo, paciência e espera (quase uma crueldade quando o que a gente quer é uma premonição, uma certeza, alguma frase cheia de sabedoria que norteie nossa vida).

De repente a semana está começando de novo, mas só se passaram alguns dias e todos foram tão abarrotados de ausência e medo e confusão interna, de uma busca quase estéril de se sentir melhor, de fazer coisas por si mesmo...E o buraco insistindo no meio de dentro do corpo, o abismo gelado, o choro engrossado de escuridão e descrença...E eu te vejo encolhida num canto, o desespero nos olhos, o peito abafado, a vontade do grito e a falta de fôlego...E eu não sei a coisa mais bonita que eu poderia te escrever....Sei que já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa e rosas incríveis desabrocharem num copo com água, e é disso que me nutro pra acreditar que a meteorologia nem sempre está certa e que dias tão cinzentos podem ser prefácios de noites com sol...

Sei que se eu estivesse aí, certamente estaríamos juntos no cantinho mais confortável de qualquer lugar escolhido por você e eu te daria um abraço com tanto encaixe e amor que você, por pelo menos alguns minutos, encontraria“ um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”...E mesmo que o seu corpo todo doa numa súplica e que por mais interna que seja sua ferida, meu amor, eu espero ,sinceramente, que o pedacinho que falta na tua asa, não te impeça o vôo...

Minha flor, o que eu tenho pra te dar é colo, conselhos e o que mais você precisar...E todo amor que transborda em mim, vai ser seu até que nada mais doa tanto...