terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sobre a ingratidão


O meu maior defeito é esperar retribuição. Desculpe, mas eu precisava me abrir com você. Eu espero sim que o outro reconheça o que faço, sou humano. Acho que na vida tudo vai e vem, são duas mãos. Eu faço, você (teoricamente) faz e assim a gente se ajuda e tenta viver melhor. Mas nem sempre é assim.  Não gosto de ingratidão. Honestamente, não quero um presente bem embrulhado com fita prateada. Não quero flores nem chocolates, não quero tapete vermelho nem puxação de saco, não quero um cartão cheio de traquitanas. Só quero que você agradeça de coração aberto e sinceridade brilhando nos olhos, mais nada. Duvido que uma pessoa faça, faça e faça sem esperar pelo menos um ''obrigado''. Não estou levantando a bandeira do ''faça-e-espere-um-agradecimento'', estou apenas contando para você como me sinto. Fico bem chateado quando alguém pede a minha ajuda e age como se aquilo fosse a minha obrigação. Da mesma forma que fico bem sentido quando me ofereço para ajudar, me viro em mil, me desdobro e a pessoa nem liga. Ser grato é tão bonito, faz tão bem. Ingratidão é algo tão chato quanto uma mentira. Faço as coisas porque quero, essa é a minha verdade. Faço de coração, sim, mas tenho sangue correndo nas veias, tenho sentimento e espero que a pessoa valorize o que fiz por ela, da mesma forma que valorizo o que fazem por mim. Não esqueço de quem me estende a mão, minha memória não é curta. Apesar de eu esquecer algumas coisas que eu preciso fazer durante o dia, jamais deixo passar batido o que fazem por mim. Porque aprendi que ajudar o outro é bonito, mas ser grato é mais bonito ainda.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sereno


Eu nunca vou ser perfeito, e sei disso. Mas quer saber? Sou tranquilo, e só quero estar em paz comigo mesmo. Só quero estar em paz com minhas imperfeições, pois elas também têm seu charme, e seduzem. Mas a primeira pessoa que você tem que seduzir é você mesma. Por isso é tão importante a gente se respeitar e saber exatamente o que quer, e o que não quer. O que espera do outro, o que espera da gente mesmo. Qual o nosso limite. O que a gente aceita e o que não tolera de forma alguma. E saber que ninguém tem tudo. Mas se a gente quer mesmo uma coisa, precisa arregaçar as mangas e batalhar por ela. Sem fechar os olhos para as belezas da vida. Porque tem muita coisa bonita por aí, mas é preciso saber enxergar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sempre Ele




Ele me mudou tanto. Não consigo entender exatamente onde as mudanças começaram, mas foram muitas. E acho que foi devagar., pois se fosse rápido eu teria sentido e, talvez, teria pisado forte no freio. Ninguém gosta de mudança, já que toda mudança implica uma perda. Quando a gente muda acaba saindo da zona de conforto, e a zona de conforto é, como o próprio nome diz, confortável, segura, boa. Ele me deixou mais forte. A gente nunca percebe a força que tem até acontecer algo. E quando esse algo acontece, surge aquela força absurda e a gente se surpreende com as reações, pensamentos, sensações... Ele me levou algumas pessoas. Poxa, eu lamento dizer isso, mas ninguém é eterno. E sabe aquele seu amigo muito amigo? Ele vai te deixar chateado. E sabe aquela pessoa incrível com quem você contava? Ela vai te decepcionar. E sabe aquela colega que almoçava todas as quartas junto com você? Ela vai passar a almoçar com outra pessoa depois que uma de vocês mudar de emprego. A vida é assim: traz algumas pessoas e afasta outras. Ele me mostrou o que é um sentimento. É que nem sempre a gente sabe. Às vezes é necessário um empurrãozinho, um beliscão, uma queda ou um peteleco na orelha. A coisa está ali, ao seu lado, e nem sempre os seus olhos estão bem abertos para enxergar. Ele me ensinou que os dias nem sempre são ensolarados e que a chuva tem a sua beleza e o cinza também. E que nada é eterno, e que ninguém ganha sempre, e que esse é o grande barato de tudo, essa inconstância, essa incerteza, essa interrogação. Ele me fez ver que a beleza vai além de um belo par de seios, uma grande bunda, barriguinha definida, pernas grossas ou um rostinho bonito. E que dinheiro não compra caráter e que educação não está em nenhuma prateleira do supermercado. Ele me fez acreditar que tudo passa, que nenhuma dor é para sempre, que nenhuma alegria dura 365 dias, que a gente vive numa gangorra e que o ditado “um dia é da caça, o outro do caçador” é a coisa mais verdadeira que existe. Ele me deixou enciumado. É que todo mundo sabe quem ele é, todo mundo já sentiu os efeitos que ele traz, todo mundo já provou o seu sabor e já se jogou em seus braços.

Ele, O tempo.




segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sobre a Inconstância da vida




Eu queria alguma coisa que pudesse me trazer aquela certeza que acalma. Acho que, no fundo, é isso que todo mundo quer. certo? É por isso que tanta gente consulta os búzios, as cartas, os orixás, a astrologia. É por isso que a gente busca alguma fé na religião ou em algum grupo de apoio. É disso que o peito precisa: apoio. E uma certa compreensão silenciosa.

O coração não bate direito quando a angústia toma conta. Fica aquela interrogação fazendo tocaia na esquina, a dúvida vai subindo degraus cada vez mais altos até sumir de vista. Por que precisamos ter a (falsa) ideia de que está tudo sob controle? Por que tentamos a todo custo manter a vida em rédeas curtas?

Não entendo essa necessidade louca de querer saber. A vida é um não saber. É não saber dia após dia. É não saber o que vai acontecer no próximo minuto. É tentar equilibrar os pratos, a cabeça e o corpo a todo instante. Então, por que tanto sofrimento com a dúvida? Por que as incertezas, tão comuns como o simples ato de respirar, nos sacodem forte como furacão? Por que perdemos o sono com os pontos de interrogação que ficam andando em círculos na nossa mente?

Uma das grandes características da vida é a inconstância. Dias bons misturados com não tão bons e com os dias ruins, e com os dias muito ruins também. Saúde ao lado da doença. Alegria ao lado da tristeza. Vida ao lado da morte. Doce ao lado do azedo. Gangorra de sentimentos. Mescla de emoções. E assim vamos vivendo. Sem saber o que nos aguarda, mas com uma esperança que nunca nos abandona.

domingo, 18 de novembro de 2012

Sobre a Desistência


Eu desisto da garota bipolar por quem me apaixonei
E daquelas outras duas interesseiras também
Eu desisto da dieta
Desisto da academia
E de tentar ser bronzeado
Eu desisto dos sonhos
Desisto dos planos
Eu desisto de escrever (veja só que texto merda eu estou escrevendo e todos que escrevi antes dele)
Eu desisto de falar
Eu desisto de tantos amigos inúteis
Desisto dessa gente falsa
Desisto desse curso chato da faculdade
Eu desisto de você, que ainda não parou de ler essa droga de texto
Desisto das pessoas que me cercam
Desisto desse lugar que mais parece um Feudo e um Ovo de codorna
Desisto do mundo
Desisto da vida
Eu desisto de desistir
Eu desisto!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sobre estar pronto



A vida é mesmo feita de encontros. E que bom que as coisas são assim. É preciso ter paciência, pois nada acontece pra ontem. O amanhã é cheio de surpresas, basta a gente estar com o coração aberto. Muita gente se questiona: "por que eu não encontro o amor?". Mas quer saber uma verdade? É o amor que nos encontra. Só que é preciso estar preparado, maduro, seguro. E isso não acontece do dia para a noite. É necessário ter uma espécie de preparação para o que virá. Mesmo porque o amor não é uma dança com passos firmes, ele às vezes é uma vertigem. Outras tantas é calmaria, depende de como a gente se comporta e o recebe.  A maturidade é essencial, senão ele chega ao nosso lado e nem nos damos conta. É preciso estar atento - e ao mesmo tempo sossegado - para ter o encontro com o sentimento mais bonito que existe nesse mundo .

domingo, 11 de novembro de 2012

Esperando (sereno e sozinho) o fim do mundo.




Você, caro leitor, já parou pra pensar no provável fim do mundo? Com todos os boatos, depoimentos de cientistas, calendário maia, os filmes, 21 de dezembro de 2012 e tudo mais, fica difícil não pensar. Bem, em outra época eu desejaria que o mundo não acabasse, eu teria mais vontade de viver, teria mais anseio por cumprir as missões que me foram dadas pela vida ou por mim mesmo. Em outra época eu estaria revoltado pelo possível fim do mundo, mas hoje eu aceito a chegada do apocalipse sem fazer careta. Ontem parei pra pensar na minha vida e vi que nos últimos, sei lá, 3 anos, eu não ganhei nada, não conquistei nada, todos os planos falharam, um atrás do outro. Sou o maior colecionador de derrotas que eu já conheci. O mundo falhou comigo, mas eu falhei muito mais comigo e com tudo e todos que me cercam, por isso não sinto mais um peso ou um medo do fim. Outro dia desses eu assisti um filme com um nome bem interessante: ‘’Procura-se um amigo para o fim do mundo’’. Eu me identifiquei muito com os protagonistas: Eles não construíram nada durante a vida inteira, nada que valesse a pena. Eles tinham parentes, mas esses parentes não sentiam tanto a falta deles ou não os completavam. Eles tinham companheiros, mas, quando o fim se aproximou, eles ficaram sozinhos. Eles apenas procuravam uma maneira menos dolorosa de enfrentar o fim do mundo. Embora eu me ache tão parecido com tais personagens, eu os invejo. Sim, no fim de tudo, eles tinham um ao outro, eles encontraram alguém, uma companhia para o fim do mundo. Já eu... Eu vou pro juízo final sem ninguém, vou assistir os terremotos, os tsunamis e as chuvas de meteoro totalmente sozinho.  Eu poderia sair por aí e tentar corrigir meus erros do passado, fazer coisas que eu queria fazer mas não fiz, dizer coisas que eu queria dizer mas não disse. Mas isso serviria pra quê? Pra eu morrer em paz comigo e com o mundo? Isso seria, em minha opinião, tentar viver de verdade quando já não há mais tempo pra isso. Se eu passei a vida errando e perdendo tempo, agora o melhor a fazer é deixar tudo como está e esperar o que tiver que ser. E antes que você me pergunte ‘’e se o mundo não acabar agora?’’ eu digo : Sempre há um plano ‘’B’’.





quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando você foi embora





A insistência pode ser mais dolorosa do que o fato em si, sabia? Porque eu, ah, eu tenho dessa coisa minha, só minha mesmo, de me apegar a cada rejeição e criar como se fosse semente no algodão. Com afeto e com todo cuidado doentio de quem não consegue se desprender dum mundo-nada-ideal em que você não me contou nada, e eu finjo saber em silêncio. Finjo saber que você vai embora daqui a pouco, finjo saber que você vai sentar comigo numa praça movimentada às oito da noite duma terça-feira friorenta pra cravar sete graus Celsius de despejo no peito. Finjo que sei prever o futuro e pode ser que eu esteja certo e que isso vá acontecer, mas o fato da previsão ser duvidosa, ainda que numa margem de erro pequena, me conforta. Me conforta porque você ainda não bateu o martelo, não me chamou pra falar, não decretou alforria sentimental e nem se desprendeu de mim. E enquanto eu tenho isso, eu finjo, finjo, finjo e suplico pra mim mesmo que tá tudo bem.
E chega um dia em que você me conta que conheceu alguém novo.


Nesse dia não teve porta destrancada e eu nem me lembrei de acender a luz do corredor. Nesse dia bateram lá em casa pra ver se tinha alguém e já não tinha. Apaguei a luz pra ver se você caía no meio do caminho tentando me achar, pra ver se você se machucava ou se cortava no chapisco da varanda, pra te causar alguma dor física que compensasse. Ah, porque a gente quer sempre machucar o outro de alguma forma quando a gente sente dor sozinho e quando nem tem como remediar direito. Quer que o outro se sinta mal e se sinta mesmo, sem dó nem piedade. A gente quer deslocar o lugar de vítima pra outra pessoa que não seja a gente porque a gente não se basta mais de tanta angústia que já cabe aqui dentro.


Eu rego minhas mágoas diariamente. Só que essa tem lugar especial. Como num ritual pré-estabelecido, despejo água salgada direto da fonte sobre ela. Que se alimente de mim e de você e de toda essa dor comprimida que não dá pra engolir. Despejo o vidro de remédios no ralo da pia e desço com eles pra viver nessa condição-placebo que me obriga a te acusar. E te despejo de acusações. Te acuso de ainda estar bem. Acuso e recuo e queria que você sentisse o gume pontiagudo espetando, raspando a ferida pra não infeccionar, pra deixar os pontos abertos, expostos pra drenar você. Recuso a cura. Me recuso a aceitar que você tenha passado por isso como se nunca tivesse visto metade do que eu vi de sofrimento e solidão. Abuso e peço pena de tortura – porque o que eu sinto não pode pegar prisão perpétua e o corredor da morte pra gente carece de pânico e de dor pra você. Exijo tortura em histeria. Numa histeria tão silenciosa quanto a dor de ver quem você amou indo embora de mãos dadas com alguém, sem nem sentir o peso da sua perda. Numa histeria que observa o calendário e confessa que os meses de janeiro a dezembro tiveram carinho, conforto e passaram sem marcas pra você enquanto eu via cortes cada vez mais fundos numa pele inchada e marcada por malas nunca desfeitas debaixo dos olhos.



sábado, 3 de novembro de 2012

Conclusões pela madrugada...



Só deseja um amor saudável quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade. Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estes, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.
 A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas, ensina a escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão, ensina a compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida quem viveu solitário, e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez quem não é vulgar, quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado, quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico quem é inteligente. Só consegue ser doce quem já foi ferido e curado pela espiritualidade. Só consegue o que quer os que têm desejos justos e acreditam e lutam por eles.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sobre querer ser menos.



Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramático, menos intenso, menos exagerado, menos sincero, menos leal, menos iludido. Alguém já desejou isso na vida? ser menos? Pois é, é estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, alguém, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranquilizar a alma, pois eu preciso, e preciso muito.Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar nos meus próprios pés. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó, eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração exposto, a poesia na mão, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou. Não digo: "estou indo" ou  "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Ainda assim, só queria saber: Existe aí algum remedinho para não sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras orientais, cores ou aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento?  Existe uma fórmula mágica que me deixe duro feito uma pedra? 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sobre a derrota.



Eu preciso falar, pois certa vez me disseram que falar salva. Mas e tudo que já foi deixado para dizer mais tarde? Como eu organizo essa bagunça sem derrubar as estantes? Como é que se coloca em palavras um sentimento que se acumulou tanto que não há nada para ser dito? Vou dizer que eu estou infeliz? Que, pior do que isso, tenho sido infeliz? Que, quando acabam as piadas, há um ser humano se sentindo terrivelmente sozinho aqui? Que estou inconsolável, sem ver motivo em nenhum dos meus movimentos?


Mas por trás desse ''piadista'' há um ser humano esgotado de tanta frieza. Um ser humano que oferece tudo o que tem sempre que pode, e até quando não tem, e até quando não pode, e de volta espera um pouco de paz, ou um sorriso sincero, ou um abra
ço forte, mas não encontra. As minhas feridas estão todas abertas e ninguém tem o menor pudor ao passar os dedos sujos nessas fendas, ou o menor trabalho de me ajudar a estancar o meu sangue: sou eu, mordendo o travesseiro, molhando o pano com álcool, desinfetando os cortes, gritando sozinho no chão do banheiro.

Eu agora tenho que aprender a viver com o que sobrou de mim: perdi a guerra. O perdedor nunca merece nenhum auxílio. O perdedor não merece sequer um olhar de pena (nem pena, o pior dos sentimentos!), sequer uma mão estendida. O perdedor tem apenas de pagar a conta, apagar a luz e fechar a porta atrás de si, fingindo que sobreviveu. E agora? O que eu faço? Continuo esperando? Ou apenas escrevo milhares de palavras sem nexo? Sem nexo e sem cor, apenas crendo que talvez escrever também salve. Pelo menos jamais poderão prender minha mão como me amordaçaram a boca, para não me ver gritando, cuspindo ódio, fogo e veneno.

Ela se apaixonou por outro alguém.




Juro que tentei escrever um texto, mas faltaram palavras, faltou força, faltou ar...faltou tudo, exceto algumas lágrimas sofridas e aquele aperto no coração.









Obs: Los Hermanos sempre tem uma música( ou duas, ou mais) que se encaixa em algum momento da minha vida, é esse um dos motivos de eu ser tão fã dessa banda.

sábado, 27 de outubro de 2012

Uma Pitada De Egoismo.

Certas coisas me deixam triste. E louco. Como pode a gente gostar de uma pessoa, ver que ela está chateada e ficar de braços cruzados? Como pode você perceber que o outro está te tratando diferente e ficar indiferente? Como pode a gente só olhar para o próprio umbigo e para as necessidades pessoais? Como pode a gente só pedir apoio, calma, paciência e compreensão e não dar nada em troca? Como pode a gente não se dar por inteiro, mas esperar que a outra pessoa esteja inteira? Hoje em dia é muito fácil querer, exigir, fazer questão que o outro nos enxergue. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro, tentar se ver de longe e analisar onde está o nosso erro. 

É muito fácil pedir, pedir, pedir. Difícil é se doar. Porque normalmente as pessoas têm a triste mania de jogar na cara: ''Fiz tal coisa por você''. Daí vira aquela agressão gratuita, aquela lavagem de roupa suja, aquela coisa feia e antipática que não combina com sentimento. Mas então eu me pergunto: será que tudo combina com sentimento? Claro que não. A gente não consegue ser bom o tempo inteiro. A gente não consegue deixar de lado as mágoas e seguir em frente. Tem coisa que alfineta, cutuca, aperta. E é preciso gritar, tirar, sair desse círculo vicioso e ruim.

Não é fácil. Mas também não é tão complicado assim. Basta querer. Basta sair daquele pedestal. Basta realmente se importar com o que faz. A gente pensa que é muito bacana e que faz o melhor que pode. Que bobagem. Nem sempre lutamos com força e com fé. Às vezes, a gente só deixa a vida nos levar, como se fosse um rio que leva pedaços de árvores e lixo. 

O ser humano é egoísta demais. Se preocupa com a própria vida e finge que se importa com os outros. Então eu questiono: será que eu me importo? Será que você se importa? Até onde você é capaz de ir? Que sacrifícios você é capaz de fazer? Você consegue, por algum momento, deixar de lado sua vida para se preocupar com a do outro? Pequenas doses de egoísmo são bem-vindas e essenciais para a sobrevivência. Mas não dá pra se embriagar: tudo que é demais faz mal.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

607 dias sem ela.



Eu preferiria não ter me apaixonado ou então ter quebrado a cara mas ter vivido isso de verdade, mas nada deu certo. Nada nasceu, não nela, nada foi vivido... Foi só ilusão, é só ilusão... Restou-me só imaginar como seria, o que eu faria, onde eu estaria. Já perdi a conta das vezes em que eu decidi esquecer ela e não consegui, as vezes em que eu prometi pra mim mesmo deixar ela de lado, as vezes em que eu matei ela dentro de mim e ela ressuscitou horas depois. Já perdi a conta de quantas mulheres usei pra esquecer aquela moça... Única, tão única. Mas eu não posso mais perder tanta vida por uma vida que não quer fazer parte da minha vida... E lá se vai mais uma promessa embutida numa frase bonita... E lá se vai mais um dia... Eu só não sei ate quando...






terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os idiotas são mais felizes.





Idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que só quer ser séria, profunda, visceral.  A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer? Deixe a pungência para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades. Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça? Que sabe resolver uma crise familiar mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em suma: desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. A realidade já é dura; piora se for densa. Dura e densa, ruim. Brincar, legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? Pagar as contas, ser bem-sucedido, amar, ter filhos - tarefa brava. Piora, muito, com o peso de todos aqueles nãos. Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota. Aliás, tudo fica bem mais fácil ser for regado a idiotice, bom humor. Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: "E por que essa condenação da piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?" Estava certo. 
Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, beliscar a bunda da mulher, sair pelados pela cozinha. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" aceitável.

Teste a teoria, uma semaninha, pra começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são: passageiras. A briga, a dívida, a dor, a raiva, tudinho vai passar, então pra que tanta gravidade? Já fez tudo o que podia para resolver o problema? Parou, chorou, pediu arrego? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego. Tá numas de empinar pipa no sábado? Vá. Quer conversar com sua namorada imitando o Pato Donald mas acha muito boçal? E é, mas e daí? Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso? Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo.

Eu fico chateado por não ser tão idiota quanto gostaria; tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade. Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não preciso de testas franzidas de preocupação. Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, grande e impagável idiotice. Como sair pra jogar paintball, ou conversar besteiras com uma pessoa idiota, tomar 2 litros de sorvete de flocos sozinho enquanto assisto os velhos episódios de ''chaves'' ou, melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feio com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo, como fico ridículo quando esqueço que tudo passa

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A solidão nunca vai ser a melhor saída.



Acho estranho quando as pessoas dizem que se bastam, que são felizes sozinhas e não precisam dos outros para se sentirem felizes, bonitas e resolvidas. Entendo que elas querem afirmar que não são escravas da aprovação dos outros, mas questiono até isso, afinal somos seres sociais. A identidade psicológica de uma pessoa não é uma massa uniforme e estática, parece mais com uma colcha de retalhos de muitas visões que repousaram sobre ela no processo educacional e cultural. A pessoa é, resumindo, o resultado de uma soma: O que ela realmente é, o que ela acha que é e os que os outros acham que ela é. Os gênios e os crápulas são frutos de seu próprio tempo e não podemos descartar nenhuma influencia nesse sentido. Os psicóticos vivem numa realidade criada só por eles, e esses sim vivem com total autonomia psíquica, mas totalmente desenraizada da realidade comum e se tornam incapazes de comunicar, compartilhar e trocar experiências com os outros. Os náufragos atestam as sequelas do isolamento social, pois acabam  sendo corrompidos pela total impossibilidade de trocar experiências e expressar sua vitalidade. Eles não existem, apenas sobrevivem. As idéias precisam de dialogo para se formatarem e mesmo o sábio na montanha tem um interlocutor em potencial. É tão grande a necessidade de reciprocidade que os presos fechados na solitária entram em estado psicótico alucinando o diálogo com pessoas imaginárias, resquício de lembranças antigas. Essas experiências desmontam a aparente independência que muitos pregam. 





 Normalmente os que se dizem bem com a solidão são pessoas que se viram incapazes de estabelecer conexões significativas com uma outra pessoa, criaram um desdém e converteram a solidão involuntária em discurso panfletário pseudo-realizado. Se procurarmos no histórico pessoal veremos lances dolorosos de tentativas e erros amorosos. Tomaram um por todos e se fecharam numa racionalização maciça a ponto de convencerem  a si mesmas que caminham bem sozinhas. Se apoiam em parentes, amigos ou vizinhos, e em última instância , nos animais de estimação (incapazes de decepcionar uma personalidade tão idealista e sensível). Essa solidão é silenciosamente dolorosa por que falta uma intimidade específica de poder contar, ainda que isso seja um desejo irrealizável, com um comparsa emocional nos seus dias mais difíceis e nas alegrias mais profundas. Não que eu ache que devamos ter um relacionamento a qualquer custo, mas que é bem melhor ter alguém. O outro nos define, limita ou liberta, e cabe a nós decidir o que será… A solidão jamais será um antídoto para o sofrimento.

domingo, 14 de outubro de 2012

Sobre erros e o futuro




Ah! Que duplinha infeliz! Poderiam estar juntos agora, mas são muito tolos. Ele tem tudo o que ela quer: é engraçado, é legal, entende ela, a respeita, é carinhoso... Mas os genes pesam... Ela? Bem, acho que não preciso dizer o que ela é pra ele. Vamos então aos erros: Ela quer falar milhões de coisas, mas só consegue ficar calada. Eles poderiam andar lado a lado, mas ela prefere ficar acima, sentada num bolo de egoísmo e orgulho. Lembra da frase ‘’mas os genes pesam’’? Tá aí um grande erro: deixar de realizar seus desejos por causa de questões estéticas, e, pra piorar, não por vontade própria, e sim por influência de algumas amigas... Quanta tolice... E falando em amigas, eis aqui mais um erro: uma amiga dela é apaixonada por ele e por isso ela abriu mão de lutar por ele. O erro é saber que ele é apaixonado por ela e não por sua amiga e que ele nunca vai dar uma chance pra tal amiga... o erro é abrir mão da própria felicidade em detrimento da felicidade alheia...essa era a hora certa pra ficar montada num bolo de egoísmo. Ele também erra muito, pensa uma coisa e faz outra, nunca fala o que realmente quer falar, nunca tem tanta atitude na vida quanto tem nos sonhos, pensamentos ou textos...tantos encontros e desencontros,  tanta guerra e paz...mas, apesar de tudo, quem sabe num banquinho num lugar qualquer, talvez num baile de máscaras ou numa sala de estudos, tudo vai mudar...chamem de destino ou do que quiserem, o que importa é que no final vai ser ele e ela.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Além do que os olhos podem ver




E você espera o sinal abrir. Olha os carros, lembra da conta de celular que vence amanhã, lembra das provas de calculo... Nem reparou no muro grafitado na sua frente. Alguém, em algum momento, gastou algumas horas da sua vida pintando aquele muro. Escolheu as cores a dedo. Criou personagens. Chegou em cores. Mas você nem viu. Quando muito, reparou de relance que aquela esquina tinha mais cores do que o resto da cidade cinza. Não há nada de errado com a sua visão. De óculos, você nunca precisou na vida. Você vê muito bem. O problema está na forma como enxerga as coisas.
Sabe, tem uma grande diferença entre ver e enxergar. Você viu os doces na vitrine, mas não enxergou o coração detalhadamente feito pelas mãos habilidosas e precisas da confeiteira em cima do cupcake. Você viu seu colega de trabalho chegando, mas não enxergou que havia algo de errado com os olhos dele que brilhavam menos e traziam uma pequena bolsinha inchada na parte de baixo, coisa de quem chorou na noite passada. Você vê o cachorro atravessando a rua, mas não enxerga que ele é um ser que conversa com os olhos. Você vê o cara bonito e de roupa bacana conversando com você na balada, mas não enxerga que sua linguagem corporal e seus elogios entregam que ele só quer te comer e nada mais.
Esse é um dos motivos pelos quais muita gente diz que não encontra ninguém legal pra namorar. Num universo com tantos seres, pra todos os gostos, ela insiste em dizer que só encontra cafajestes. Talvez isso aconteça porque ela vê os homens, mas não os enxerga de verdade. Quem tem antena ligada e os sentidos abertos, fala com você e te escuta, mas, paralelamente, enxerga outras coisas. Repara no tom da sua voz e na ansiedade que vem junto com ela. Repara na sua dificuldade ou facilidade em fitá-los nos olhos. Repara no seu riso, se ele é verdadeiro ou não. Repara nas suas reações quando lança assuntos polêmicos. O externo, é só detalhe. O externo é mascarável. Você pode acordar no seu pior dia e tentar enganar o mundo colocando roupa nova, arrumando o cabelo, carregando na maquiagem. Quem somente vê, não percebe que há algo de errado. Os que vêem enxergando já sacam de cara que alguma coisa aconteceu com o seu ser.
Esse despertar dos sentidos traz mais mudanças do que você gostaria de acreditar. Você provavelmente dispensou dezenas de homens legais que se aproximaram  porque não conseguiu enxergar além do óbvio. Estava se achando a mulher madura e experiente e, bobinha, confiou nas armadilhas da sua mente. Mal se lembrou que a mente prega peças e analisa os fatos de acordo com a perspectiva dela. O coração vai muito além – ele ultrapassa a barreira do palpável, do racional, e capta aqueles sentimentos que a gente insiste em esconder. Coração tem visão translúcida pra máscaras – elas enganam a todos, menos a ele. Saint-Exupéry tentou nos ensinar isso quando disse que “Só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível aos olhos.” Com certeza você já leu essa frase antes, mas talvez não a tinha entendido direito – talvez porque tenha visto as palavras, mas não enxergado real seu significado. Tem gente que não entende e talvez, jamais entenderá. Mas não é com elas que a gente fala.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre o azar que não sai de mim.





Nunca conheci alguém que se iluda mais que eu. Basta só uma garota, que eu acredito ser a pessoa mais compatível comigo no mundo, fazer loucuras por ciúmes de mim e não conseguir ficar longe de mim por muito tempo e eu acredito que ela realmente se interessa por mim. Basta uma garota muito bonita, e gostosa, e legal pra caralho, me chamar pra sair várias vezes e fazer outras coisas que deixam evidente pra qualquer outra pessoa que ela está afim de mim e eu acredito que ela realmente está afim de mim. Basta uma garota genial aparecer e dizer que eu sou a pessoa certa pra ela, que eu sou ‘’O cara’’, e eu acredito que eu realmente achei alguém que goste de mim como eu sou. Uma garota que tem tudo o que eu quero, uma garota bonita, gostosa e super legal e uma garota que parece ter saído de um filme francês daqueles bons... Eu deveria ter imaginado logo que ambas eram muita areia pro meu caminhão ferrado, que eu não mereço tanto ou elas não merecem tão pouco. Eu deveria não ter me iludido. Sei lá, acho que não tenho sorte mesmo, acho que vou ficar sempre sozinho, sempre sendo ‘’um grande amigo’’, ‘’o melhor amigo’’, ‘’uma pessoa boa, mas que não serve pra nada mais além de ser um amigo’’, ‘’um amigo muito prestativo e legal’’, ‘’o amigo mais engraçado’’, etc. Resta-me rir pra não chorar...





sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sobre a sinceridade (ou a falta dela).



Uma das piores coisas que você pode fazer à outra pessoa é iludir ela. Você não pode chegar pra outra pessoa e dizer ‘’você é a pessoa certa’’, ‘’você é perfeita pra mim’’, ‘’te quero’’, e logo depois virar as costar e ir formar um par com outra pessoa. Você não pode dizer pra uma pessoa que quer ela sempre por perto, que ela te faz bem, que quer uma relação sempre honesta entre vocês dois e logo depois agir com tanta desonestidade, continuar com mentiras, manipulações, deixar ela de lado quando você está bem e só procurá-la quando você está mal. Isso está errado, está tudo errado. Se eu não estou bem, não vou sorrir pelos cantos, mas se eu estiver bem você saberá de cara. Eu não gosto de quem come mortadela e arrota caviar, gosto mesmo é de quem sorri com sinceridade, de quem é  sincero consigo mesmo e com os outros...odeio eufemismos... Sabe, eu sou sincero até demais, gosto mesmo da verdade, até meu silêncio é sincero... Eu só queria que as pessoas agissem de forma ao menos parecida com isso, o mundo seria bem melhor se fosse assim...


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sobre o intervalo entre dois amores



Tinto, preciso de mais uma taça de vinho tinto. Em plena quarta, romance de quinta. Debruço-me no parapeito e observo luzes e pessoas em piloto automático. Uns sobem, outros sabem, e meu coração na contramão. Pra cima tem cinema, bem ali na esquina, e pra baixo, algum bar, desses em que sempre tem algum bêbado triste, com os cotovelos no balcão, com um jeans velho e uma camisa listrada aberta no peito. Seu cabelo é desgrenhado, mas você não liga. Estou enterrado nesse apartamento desde aquele “não”. Sem sua boca, sem poesia, sem banho e com a barba por fazer. Retalhos de um quase eu. Apaguei a claridade com os olhos e enxerguei seu meio sorriso – eu adoro as suas covinhas e sua timidez quando sorri -, parece que eu posso sentir você ao meu lado. Parece. O seu maço de cigarros mentolados, abandonado na escrivaninha, ao lado do abajur cor de sorvete de creme. Minha camiseta de time que você usava para dormir continua com o seu cheiro, sua orquídea na varanda não floriu esse ano, e seus discos continuam na estante com os meus… Tudo está no mesmo lugar, só que com saudade. Tudo ali do mesmo jeito, só que cinza. Desde que você partiu eu sou assim, sou só metade, só saudade. Perdi o tom, o ritmo e minhas cores. Fiquei mo-no-cro-má-ti-co.
Vez ou outra, lembro-me de quando éramos. Você vestida de sorriso e vestido-rosa-clichê. O batom era claro e sempre tinha um enfeite no cabelo. Teve aquela noite em que seus olhos borraram, lá pelas duas da manhã, quando te pedi pra ficar. Mas eu pedi pra ficar de verdade, disse que seria seu melhor namorado e que ficaríamos sempre juntos. Você lacrimejou, piscou os olhos com um brilho diferente e a sua voz faltou. Você queria vodka, mas eu disse que teria que ficar bêbada da minha saliva. Você então fez café. O filtro de papel tinha acabado pela manhã e você usou o coador de pano. E foi o meu melhor café. Escolheu um DVD da minha coleção para assistirmos de conchinha durante a madrugada. Tinha ‘500 dias com ela’, mas você preferiu um musical francês. ‘As canções de amor’, com aquele ator que você adora: Louis Garrel. Fumou quase um maço de cigarros aquela noite. Lembro que pela manhã, falou meio dormindo que me amava e eu dei um beijo na sua testa suada e disse que também te amava. Mas você não ouviu, e acho que mesmo que se me ouvisse, talvez não acreditasse.
Eu não sei o nome desse sentimento que sobra quando deixamos de ser, mas eu sei que dói. Eu sei que essa porra de sentimento mastiga o coração da gente. É quando não existe mais ninguém para apertar suas mãos. Sinto-me morto depois que você fechou a porta e partiu aos berros pelas escadas, aos prantos. O senhor Benjamin, meu vizinho do 513, veio me perguntar no dia seguinte se eu tinha te magoado muito, e eu respondi apenas com um olhar triste. Eu não precisei usar nenhuma palavras e ele entendeu direitinho. Sempre soube que aquele velhinho gentil e falastrão era mais inteligente do que a maioria dos meus vizinhos. Teve uma vez que ele bateu na minha porta para pegar açúcar emprestado, disse que tinha feito as contas erradas no mercado. Descobri mais tarde que era aniversário da morte da esposa dele, a senhora Dolores, e então, na verdade, o que ele procurava era apenas companhia para tentar não pensar muito nela. Ainda bem que eu fiz o convite para ele entrar, lembro-me de que jogamos xadrez a tarde inteira.
Tomo mais uma taça de vinho e observo a chuva, daqui de cima, longe de toda essa gente. Perdi a vontade de encontrar outro sorriso senão o seu. Fico com o meu silêncio, engarrafando vontades. Mordo até a língua numa conversa desajustada comigo mesmo, enquanto tento te convencer de que. Aposto que está desperdiçada no sofá, conversando com seus fantasmas. Tenho certeza de que está de pijamas, com uma panela de brigadeiro, enquanto assiste a uma comédia romântica bem dramática. Sua 3×4 agora assombra e desliga o sono. Tentei queimá-la, mas o palito me acordou quando começou esquentar meu polegar e o indicador. Antes do sol acordar resolvo dormir, na sala mesmo, e você me decepciona mais uma vez quando não aparece nos meus sonhos. Sabe, eu já não sonho com você faz um tempo. Quando sóbrio, pergunto-me quando esse intervalo acabará – dizem que a tristeza é só um intervalo entre um amor e outro, então, eu torço para que o relógio caminhe rápido, que o tempo carregue essas lembranças empoeiradas que moram debaixo do tapete, para enfim eu despedir-me de você.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sobre o meu Cansaço.





Cansei de ser como Amélie Poulain, cansei de dar e não receber, cansei de ser sincero e em troca receber mentiras ou o silêncio, cansei de me importar com quem não se importa comigo, cansei de doar meu tempo, minhas forças, meu bom humor e meu companheirismo e receber indiferença, cansei de ser bonzinho e ser tratado como otário,  cansei de dizer ‘’eu te amo’’ e receber um sorriso insosso de volta, cansei de aparentar estar feliz quando não estou, cansei de ser ‘’o conselheiro’’, ‘’o atalho’’, cansei das pessoas, da falsidade que me cerca e cansei do amor. E, pra completar, estou numa fase nada boa, tudo está dando errado, tudo... Tudo... Preciso aprender a ser mais frio, mais duro, mais astuto, preciso aprender a lidar melhor com a falsidade, preciso finalmente entender que as pessoas preferem mentiras... Preciso ser FORTE.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Que Você Nunca Vai Saber


''Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais, mas você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito para eu e você. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.

Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequeno num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.''

sábado, 25 de agosto de 2012

Quer Saber Quem Sou?


O que eu sou não lhe diz respeito, em parte nenhuma lhe toca. Nasci para poucos e morro por quase ninguém. Contradigo-me em passos de dança invisíveis, enlaçando pernas e prendendo bocas, querendo muito e gostando tão pouco. Não é insatisfação ou sofrimento, é só um tudo ao mesmo tempo agora que não respeita amor de menos, não aceita um gostar pouquinho e querer às vezes. Uma intensidade que não se conforma com noites únicas de começo, meio e fim. Se estou aqui é pela música, pela companhia, pra me perder. Jamais pra desperdiçar uma noite com quem não sabe conversar.
Não me pergunte o que eu faço da vida, isso é banal, é triste, é comum. Queira saber o que me faz feliz, meu ponto fraco pras cócegas. Não pergunte o que me dá dinheiro, porque este é o menor dos meus sucessos. Esqueça meu nome verdadeiro, se eu venho sempre aqui, se estou gostando da música. Agir sem naturalidade é o seu maior fracasso.

Se é mesmo importante que eu responda as perguntas que tanto desprezo, se definir o que sou vai te fazer mais feliz, se quer mesmo saber de mim, comece pelas entrelinhas, pelo não dito, pelo movimento dos cílios e as pupilas dilatadas, os olhos nervosos que não se fixam, o modo de apoiar o peso do corpo em uma das pernas e me preocupar com minha aparência. Olhe para as mãos que não sabem repousar e a voz que desafina. Por favor, sou tão ridiculamente fácil de decifrar e ainda insistem em seguir pelo caminho errado. Exponho-me tanto e ainda querem uma cartilha.

E fazem isso porque amam de relance, querem no momento e só por desafio. Porque têm preguiça ou medo de cumplicidade e acreditam perder a noite se optarem por se apaixonar pelo próprio ego. Porque perdem oportunidades de se calarem quando é papel dos olhos falar.
É por isso que eu estou sozinho nesse mundo de luzes e pessoas. É por isso que eu saio de casa e minha roupa não precisa agradar ninguém além de mim. Porque não deixo o calor da minha rotina pra ser prenda em vitrine. O que eu sou não lhe diz respeito, em parte nenhuma lhe toca, mas se quiser mesmo saber de mim, experimente não me perguntar, e, talvez, assim desperte minha vontade de contar.